A maioria das pessoas que tem colesterol elevado não apresenta nenhum sintoma associado. Nenhuma dor, nenhum cansaço fora do habitual, nenhum sinal que leve a pensar que algo possa não estar bem. E é exactamente por isso que o colesterol elevado é um dos problemas de saúde mais subestimados em Portugal.
Pode ter os valores elevados há anos sem o saber. O coração continua a bater, o dia continua a correr, e a ideia de fazer uma análise ao sangue vai ficando para depois. É uma situação muito comum e cada vez mais prevalente, mas é também uma situação que vale a pena falar sobre e mudar, porque detectar o problema cedo pode fazer toda a diferença na sua saúde.
Neste artigo, o Dr. João Bragada explica de forma simples o que é o colesterol, porque é que os valores elevados passam despercebidos durante tanto tempo e o que pode fazer para proteger a sua saúde sem complicações desnecessárias.
O colesterol é uma gordura produzida naturalmente pelo nosso organismo, essencial para o funcionamento de células, hormonas e até da vitamina D. O problema não é o colesterol em si, mas o excesso de um tipo específico dele.
Existem dois tipos principais. O LDL, muitas vezes chamado de "colesterol mau", é o que se acumula nas paredes das artérias quando está em excesso. O HDL, o "colesterol bom", tem a função contrária: ajuda a transportar o excesso de colesterol de volta ao fígado para ser eliminado. Quando falamos em "colesterol alto", referimo-nos sobretudo a valores elevados de LDL ou a um perfil em que o HDL está demasiado baixo para compensar.
O valor por si só não define tudo. Um resultado de análises precisa de ser interpretado em contexto: a idade, o historial familiar, outros factores de risco e o estilo de vida contam tanto quanto os números.
O colesterol alto é chamado de "doença silenciosa" por uma razão muito simples: não provoca sintomas. Não há dor, não há febre, não há nada que faça soar um alarme interno.
O que acontece ao longo do tempo é um processo gradual e invisível. O excesso de LDL vai-se depositando nas paredes das artérias, formando placas que as tornam mais estreitas e menos flexíveis. Este processo chama-se aterosclerose, e pode decorrer durante décadas sem qualquer manifestação. O risco está no que pode acontecer se as artérias ficarem demasiado obstruídas: o fornecimento de sangue ao coração ou ao cérebro pode ser comprometido, aumentando o risco de enfarte ou AVC.
É por isso que o problema não é o colesterol alto em si, mas o tempo que pode passar sem que ninguém saiba que ele existe.
Alguns factores aumentam a probabilidade de ter colesterol elevado. Conhecê-los ajuda a perceber se faz sentido fazer análises com mais frequência:
Historial familiar: se um familiar próximo teve colesterol alto ou problemas cardíacos cedo, o risco é maior
Alimentação: o consumo excessivo de gorduras saturadas e ultraprocessados eleva o LDL
Sedentarismo: a falta de exercício físico regular afecta o perfil lipídico (o conjunto dos valores dos diferentes colesteróis)
Excesso de peso ou obesidade: aumenta o risco de dislipidemia (alteração metabólica com valores de colesterol elevados)
Tabagismo: reduz os níveis de HDL e prejudica as artérias directamente
Diabetes: altera o metabolismo das gorduras no sangue
Idade: o risco aumenta com os anos, especialmente após os 40
Sexo biológico: as mulheres ficam mais expostas após a menopausa
Ter um ou mais destes factores não significa que vai ter problemas, mas significa que vale a pena estar mais atento.
Como se descobre?
A única forma de saber se tem colesterol alto é através de uma análise ao sangue, chamada painel lipídico ou lipidograma. É um exame simples, feito em jejum, que mede os valores de LDL, HDL, triglicéridos e colesterol total.
Em termos de frequência, a recomendação geral é fazer a primeira avaliação a partir dos 20 anos e repetir de cinco em cinco anos se os resultados forem normais e não houver factores de risco. A partir dos 40, ou antes disso se houver factores de risco presentes, a vigilância deve ser mais regular.
Se quer perceber se está na altura de fazer análises, ou se quer que os seus resultados sejam interpretados por um médico, pode marcar uma consulta online no DoutorGO em doutorgo.com, sem precisar de sair de casa.
A boa notícia é que o estilo de vida tem um impacto real e mensurável nos valores de colesterol. Pequenas mudanças sustentadas ao longo do tempo fazem diferença.
A alimentação é um dos pontos mais importantes. A dieta mediterrânica, rica em legumes, frutas, leguminosas, peixe, azeite e cereais integrais, é das mais estudadas e recomendadas para manter o coração saudável. Reduzir o consumo de carnes processadas, fritos e produtos ultraprocessados também ajuda.
O exercício físico regular, mesmo que moderado, contribui para elevar o HDL e melhorar o perfil lipídico geral. Trinta minutos de caminhada rápida na maioria dos dias da semana é um ponto de partida realista para muitas pessoas.
Dormir bem, reduzir o consumo de álcool e deixar de fumar são também medidas com impacto directo na saúde cardiovascular. Nenhuma destas mudanças precisa de acontecer de um dia para o outro, e um médico pode ajudá-lo a perceber por onde começar.
Nem toda a gente com colesterol elevado precisa de tomar medicação. A decisão depende de uma avaliação global do risco cardiovascular, e não apenas de um número nas análises.
Os medicamentos mais usados são as estatinas, que reduzem a produção de colesterol pelo fígado e têm um perfil de segurança bem estabelecido. Existem outras opções para quem não tolera bem as estatinas ou precisa de um efeito complementar. A escolha do tratamento certo é feita pelo médico, tendo em conta o historial clínico, os factores de risco e os resultados das análises.
O que importa saber é que, quando a medicação é necessária, ela é um complemento às mudanças no estilo de vida, e não uma substituição.
O colesterol alto não avisa, mas pode ser detectado e controlado antes de causar qualquer problema. A chave está em não esperar pelos sintomas porque, neste caso, podem nunca aparecer.
Se ainda não fez análises recentemente, ou se tem fatores de risco que nunca discutiu com um médico, este é o momento certo para dar esse passo. No DoutorGO, pode falar com um médico online, sem esperas e sem sair de casa, em doutorgo.com. A sua saúde cardiovascular agradece.
DR. JOÃO BRAGADA
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